Moro num meio pequeno, num sítio situado num pequeníssimo concelho de um pequenerrimo distrito, onde a maioria da população está situada mentalmente no ínfimo Sec. XVI, século esse onde foi coroado rei de Inglaterra, Henrique VIII, mais tarde rei da Irlanda e mais tarde ainda chefe supremo de toda a Igreja da Bretanha e arredores, e quase, quase antes de morrer, quase que era nomeado rei de França… (ganda homem!).
Nesta city onde moro, existem personagens do caralh…neco…vou hoje falar apenas de uma, porque esta representa bem quase todas as outras…Vou-lhe chamar Junkie. Não é por nada, mas penso que este é um nome engraçado e que lhe fica bem…
Quando era puto, 11/12 anos e ainda não tinha maldade nenhuma, só inocência, embora já não fosse virgem e já tivesse partido a cabeça sete vezes, o queixo uma e dado um tiro com uma pressão de ar na mão de um amigo…durante umas férias de verão atribuladas, conheci o Junkie.
Estávamos em Agosto, e assim do nada apareceu o Junkie com um CD de Garotos Podres e meteu “aquilo” a tocar no café onde a malta se reunia. Eu sem conhecer tais artistas quando dou por mim estou a ouvir: “Vomitaram no trem…Vomitaram no trem…” e digo: “FDX, granda nojo”…ao que o Junkie me respondeu: “Ya meu, vomitaram mesmo aquela merd# toda!”… “OK, estas lá!”…pensei eu…e assim fiquei amigo de Junkie.
Durante as férias muitas foram as peripécias e quando estas terminaram, o Junkie emigrou com a família…e este nunca mais voltou “à terra”! Nunca mais até chegar a hora de “irmos à Inspecção a Lisboa!”. Ora já tínhamos 17 anos, foram 5 anos sem Junkie…”já deve ser um homenzinho, e não aquele puto parvo, pensou a malta…”. Bom…querem conhecer o Junkie? Cá vai disto.
Operação Inspecção: Depois de cumprimentos e tal, durante a viagem lá chegamos a Lisboa e como só tínhamos de nos apresentar no dia seguinte…fomos “dar volta a Lisboa”.
Ao passarmos no respeitado jardim, Infância da Calçada Da Tapada, perto da Ajuda (e que falta ela me fez…), Junkie, num acto repentino, pega numa pedra de calçada e atira-a…a um pombo, e neste mesmo acto, escorrega e cai estatelado no chão, enquanto o pombo levantava voo calmamente…
Gera-se um contraste enorme. Passo a explicar, enquanto eu fiquei petrificado com a performance desta personagem, dois velhotes sentados num ordinário banco de jardim, riam à gargalhada e diziam: “Este otário é do Alentejo sem dúvida…”. Depois de recuperar, perguntei:” Yohoooo, estas louco?”, ao que ele me respondeu:”Oi, então eu passo uma noite inteira à caça para matar um pombo, estes zorros têm-nos aqui à mão de semear e não fazem nada?!?! … Após esta situação, abandonamos de imediato o local (sabe-se lá porque…).
Passados uns minutos chegando perto do UTL - Instituto Superior de Agronomia, Junkie, passando ao pé de umas meninas provavelmente frequentadoras daquele ensino, pede lume: “Olha…para a frente senão cais… (foi a arrancada da besta, seguindo-se…), dás-me fire baby?”, ao que elas repostaram: ”És de Namek?” e seguiram a sua marcha…
Junkie rejubilou, e disse-me: “FDX, viste? Não era o Vegeta que era de Namek? O Gajo era bué de bom!”. “O Coraçãozinho de Satã é que era de Namek e não foi por essa “bonita” comparação que te disseram isso”, pensei eu…mas não lhe disse nada, deixei-o ficar com o troféu…
Hora de almoço: Fomos almoçar, e eu vendo já o filme, convenci-o a irmos a um simples snack-bar comer uma bifana. Bad luck… à entrada a besta em plenos pulmões, qual neanderthal, diz à senhora já de idade atrás do balcão: “Oi, váí uma média e uma sandes de presunto…sem osso…ah ah ah!”…No Comment…
Acabado o almoço, fomos directamente para a conhecida pensão com nome de habitante natural daquela cidade perto do rio Sado, que recebe quase sempre a maioria dos penantes que vão fazer o recenseamento, e lá estivemos “quietos” até ao anoitecer. Alias, eu imaginava já nem me mexer de onde estava até ao dia seguinte, mas Junkie teve a rica ideia de irmos…sair um pouco. Ainda eu não tinha metido um pé na rua, já Junkie espreitando pela janela me dizia: “Meu, não precisamos sair. Estão bitches aqui no quarto ao lado!”. Agora é que sim, pensei eu…
Desejei-lhe boa sorte, e disse-lhe que me ia deitar, deixando-o à sua sorte, e assim foi…
Bom, só posso dizer que quando Junkie apareceu, eram 08:30 horas, estava eu de saída para me ir apresentar ao Quartel, e que ele todo despenteado, com a camisa aos quadrados vermelho toda rasgada e com as botas caneleiras todas salpicadas daquilo que parecia ser “aquele líquido viscoso…”, me disse: “Meu, fica para a próxima a Inspecção. Agora vou-me deitar e sonhar com aquela cavalona de ontem à noite…”.
Após isto, esta personagem…nunca mais a vi. Ouvi apenas dizer que está em França apanhando fruta…e cada vez mais JUNKIE.
95% desta pequena história, é baseada em factos incrivelmente verídicos…
Mirovsky Esquizofrénico
Louco
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